Durante a semana chegou à mim notícia que informava que narcotraficantes “evangélicos neopentecostais” estariam fechando Terreiros e expulsando Sacerdotes e adeptos de Umbanda e Candomblé das comunidades dos morros do Rio de Janeiro.

A única novidade nesta história é que agora temos uma nova “classe” de religiosos: traficantes convertidos. No mais, a intolerância e a imposição da fé protestante já era “lugar comum” em toda a parte, sendo que notícias de quebradeiras perpetradas por evangélicos em nossas Casas de Culto sempre ocorreram.

Neste post falo sobre a prisão do pastor Tupirani e de seu assistente por terem invadido e vandalizado um Terreiro de Umbanda. Neste outro noticio a invasão arbitrária de um Terreiro pela Polícia Militar de Santa Catarina. Neste falo sobre o preconceito religioso e suas complicações legais.


O fato é que, diferente de todo o rebuliço que alguns pastores famosos tem feito contra os direitos de homossexuais (leia-se união homoafetiva, criminalização por preconceito de orientação sexual, etc), até mesmo acionando a Polícia Federal para tirar este vídeo do grupo “Porta dos Fundos” do ar, não vejo nenhum evangélico, nenhum “Malafaia” ou “Feliciano” da vida, falando contra o ABSURDO não somente da intolerância religiosa perpetrada pelos seus confrades, mas da improvável conjunção das palavras “evangélico” e “narcotraficantes” na mesma frase.

Não é raro vermos o pastor Silas Malafaia e o deputado federal Marco Feliciano brandando que o povo evangélico é vítima de preconceito religioso, usando de suas influências para mobilizar políticos e a população em favor de suas idéia homofóbicas e racistas. Mas até o momento não tive notícias de nenhuma manifestação deste senhores sobre a inexplicável associação de igrejas evangélicas com traficantes de drogas afim de oprimir adeptos de outras religiões.

Em outro giro, não consegui localizar nenhuma manifestação das muitas “federações” e “associações” umbandistas e de cultos afrobrasileiros condenando estas ações e tomando medidas judiciais em apoio aos adeptos que sofreram tal violência.

Pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas aponta que 0,35% da população declarou ser praticante de religiões afro-brasileiras. O teólogo Jayro de Jesus acredita que é muito mais e até estima um crescimento de quase 70% no número de terreiros nos últimos 30 anos. “Acho que as pessoas estão sendo segregadas e, por isso, não tiveram a altivez de se autodeclarar nos censos”, afirma. Ele faz parte do grupo que está discutindo o mapeamento dos terreiros existentes no Brasil, com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. 


Em um levantamento feito em 2011, foram localizados até agora, somente na região metropolitana do Rio, 847 terreiros. Com os dados obtidos, o próximo passo será a implementação de um Plano Nacional de Proteção Religiosa. Para impedir a propagação de conflitos movidos pela religião, é preciso agir rápido.

Algumas vítimas reclamam que ao procurar as autoridades (leia-se Polícia) não foram bem acolhidas e em alguns casos o registro da ocorrência por crime de preconceito religioso não foi feito pela polícia civil. Ou seja, o Estado está, simplesmente dando de ombros para o problema.

Não é de hoje que evangélicos se movimentam para transformar o Brasil em uma teocracia. Não faz muito tempo Silas Malafaia afirmou que o “povo de Deus” deve tomar conta da política, das redes sociais, dos meios de comunicação e “propagar” (leia-se “impor”) seus valores e a “Palavra de Deus”. De sua parte, Marco Feliciano, um dos maiores cânceres políticos que este país já teve o prazer de ver, tem abusado de sua autoridade como deputado federal ao dar voz de prisão para casais homoafetivos todas as vezes que estes ousam demonstrar afetividade em público, mesmo que em praça pública.

Caso não haja uma reação pontual e contundente, não demora muito e as nossas Casas de Culto, mesmo as que não estão em aglomerados e comunidades dominadas pelo tráfico de drogas, estarão sendo fechadas por evangélicos radicais. É hora dos “grande líderes”, os “iluminados babás” tomarem uma postura emergencial junto aos Poderes constituídos para frear esta verdadeira barbárie. 

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