Algumas pessoas tem me procurado por este imenso mundo virtual, inclusive buscado contato em outros blogs e até mesmo quando se deparam com algum comentário meu em outro meio.

Os poucos (20) inscritos neste canal há muito já perceberam que não o tenho atualizado, mas que o mantenho como arquivo de minhas impressões sobre o Movimento Umbandista nos últimos sete anos.

Algumas pessoas conseguiram meu email pessoal¹ e regularmente enviam “causos” sobre o que vem acontecendo pelos terreiros Brasil afora. Outros pedem apoio, querem saber se ainda tenho Casa aberta, pedem ajuda em relação a “isto ou aquilo” e assim vamos fazendo alguns contatos e, de longe, acompanhando as mudanças nesta “Umbanda de Todos Nós”.


De tempos em tempos sinto vontade e necessidade de escrever aqui, mostrar ao mundo que estou vivo. Aliás, alguns de meus desafetos, “poderosos babás do santo rebolado”, andaram dizendo que a “força” de suas “pembas” haviam me derrubado. Outros prometeram processar-me (o que nunca aconteceu) por conta de algumas verdades que aqui escrevi, mesmo que não tenha citado seus nomes.

Na verdade, me afastei da militância umbandista por vontade própria. Percebi que estava gastando muita energia com algo que, ao final das contas, não teria sentido, já que as pessoas preferem viver em uma ilusão mística ao invés de encarar a realidade que está defronte aos seus olhos.

Os descalabros perpetrados pelos “donos da Banda” se avolumam, as práticas de magia sexual, do tantrismo negro, orgias e giras de “exus” reservadas onde os médiuns “trabalham” nus, a “ordenha” de médiuns varões, dentre outras coisas, se tornaram lugar comum e muita gente continua aplaudindo e cantando loas à estas práticas. Enganadas? Não: coniventes.

Mesmo que esteja há muito sem atualizações e eu “sumido” do meio, este espaço recebe uma média de 70 visitas por dia. No ano de 2012 foram aproximadamente 26 mil acessos. Em sete anos, mais de 170 mil. Não fossem números tão significativos eu já teria deletado este espaço, mas como parece ainda ser útil o mantenho.

Este blog é uma espécie de “cápsula do tempo”.

Os novos e antigos adeptos da religião podem acompanhar a evolução (?!?) da Umbanda nos últimos anos, em especial a lenta agonia da Raiz de Pai Guiné d’Angola, que ficou órfã de Mestres e adeptos sérios, da compra predatória dos direitos das obras de Matta e Silva por Francisco Rivas Neto, a deturpação de conceitos, a permissibilidade do que antes era proibido por “revelação do astral”, a ascensão e queda de muitos “babás” e tudo mais.

Em tempos de Faculdade de Teologia Umbandista, passamos à uma religião acadêmica, com textos bem elaborados, verdadeiros tratados científicos que elitizam a classe dos “sacerdotes” e distancia a Umbanda da patuleia. De “Umbanda Pé no Chão”, como defendia o finado e saudoso Babá Odonirê² (Flávio Sandry), temos hoje a “Umbanda do Capelo³” onde, além da Iniciação, o “verdadeiro” umbandista necessita de um diploma universitário para estar em contato com seus Orixás.

Mas, como dizem por ai, o “Movimento se movimenta”. Não sei muito bem para onde ele está indo, mesmo porque não é raro termos notícias de rebanhos que se movimentaram até cair da beira do precipício.

Manah, Àsé e Bençãos.

Ricardo Machado

Mestre Ubajara

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1 – contatos com o autor vozesdearuanda@gmail.com

2 – Flávio Sandry, também conhecido como “Painn” e “Babá Odoniré”, foi um Sacerdote de Umbanda Omolocô na cidade de Campinas, interior do Estado de São Paulo. Estava à frente da TUPAG (Tenda Umbandista Pai Antônio de Angola) e foi um militante ativo no Movimento Umbandista e formador de opinião em diversas listas de discussão nos anos 90 / 2000.

3 – chapéu usado pelos universitários na cerimônia de colação de grau.

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