Não faz muito tempo, estava conversando com um grupo de pessoas interessadas em espiritualismo/misticismo/ocultismo e “ciências” afins. A bem da verdade, estava mais como um ouvinte atento do que propriamente um interlocutor atuante. 


O que pude perceber naquele grupo (extremamente heterogêneo, diga-se de passagem) é que cada um acreditava, realmente, que estava de posse não de “uma verdade” mas sim de “A Verdade” sobre todo e qualquer assunto que ali fosse tratado. As argumentações começavam em Sófocles, passando por Blavatsky, Clymer, Besant, Freud, Yung, Capra e, por quê não, Paulo Coelho e Zíbia Gasparetto.

Em uma lista de discussão que participo, onde os assuntos são extremamente diversos, mas focam em sociedades secretas, ritos de iniciação, teorias conspiratórias, espiritualidade, enfim, uma tremenda salada, temos um “vidente universal” que, do alto de toda a sua sapiência, afirma que árabes não são semitas, que teologicamente não existiria um “anti-cristo” e sim um  “ante-cristo” (pelo visto, mera questão de semântica), dentre outras idiotices,  enquanto outro afirmar (e reafirma) que a Bíblia foi adulterada, e “comprova” com uma lista imensa de livros apócrifos que deveriam estar lá e não estão, além de toda sorte de magos, bruxos, tarólogos, visionários.

É comum que este tipo de pessoa conteste toda a sorte de crenças, conceitos (científicos inclusive) e tentem substituir tudo isto por sua própria realidade. Uma coisa bem ao estilo do apresentador Adam Savage do programa “Caçadores de Mitos”: “Eu renego a sua realidade e a substituo pela minha”.


Como não me considero tão sábio ou preparado como estas pessoas, fico apenas analisando tudo que é escrito, todas aquelas “verdades universais” que dezenas, centenas de pessoas diariamente postam em listas, comunidades virtuais, rodas de amigos e, o mais espantoso, como acreditam realmente que tantas asneiras são reais.


É claro que alguém pode dizer que a Umbanda e tudo o mais no que acredito é uma imensa asneira também, um conto da carochinha, que os Orixás não são mais reais do que os deuses do Olimpo ou de Valhala. Que nossos Mentores e Guias espirituais são tão irreais como o saci-pererê, a “Cuca”, a mula-sem-cabeça.


Obviamente a resposta que muitos Umbandistas dariam à esta confrontação seria bem diferente daquela que eu darei agora: concordo plenamente.


Talvez daqui há 100, 200 anos, nosso descendente rirão de nossos Orixás, Guias e Protetores, como alguns riem dos deuses gregos, romanos, hindus. Certamente, o conceito de Deus, a figura de Jesus, Maomé, Buda, serão jogados naquele abismo profundo chamado “mitologia” e, caso não surjam novos deuses, teremos uma população, se não completamente atéia, no mínimo agnóstica, com pouca ou nenhuma religião. 

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