Faz alguns dias recebi o “exemplar de degustação” do novo livro do médium Robson Pinheiro, intitulado “Magos Negros – Magia e feitiçaria sob a ótica espírita”. O autor espiritual seria Pai João de Aruanda, o mesmo que escreveu “Aruanda” e, salvo engano, “Tambores de Angola”.

Sendo fiel ao seu desejo de explicar tudo sobre a ótica do Espiritismo, colocando os rituais e tradições umbandistas como algo menor, Robson, de novo, mete os pés pelas mãos e escreve montes de bobagens, demonstrando não ter o menor conhecimento de causa quando o assunto é “magia”.

Existem erros conceituais primários sobre o assunto, começando pelo fato de que o autor praticamente afirma que todo fenômeno de obsessão é fruto da chamada “magia”. Outro escorregão é utilizar “Goécia” como sinônimo de magia negra o que é absurdamente incorreto.

Não vou me aprofundar sobre Goécia, visto que não é este o propósito deste artigo.

Porém os não iniciados (como é o caso de Robson Pinheiro e, ao que parece, também do suposto autor espiritual desta obra) tendem a colocar tal sistema magístico (chamado de “Salomônico”) como algo sombrio, sinistro, porque explica a invocação submissão de “demônios” em seus dois primeiros livros (Ars Goetia e Ars Theurgia Goetia), ignorando o conteúdo dos demais tomos (Ars Paulina, Ars Almadel, Ars Notoria).

Como se não bastasse, o autor ainda afirma que qualquer grupo espírita que tenha trabalhadores dedicados, unidos e “conhecedores” do assunto pode proceder o que chama de “antigoécia”, que vem a ser a reversão da magia negra (sic) e ao final afirma que é “imperativo estudar a fundo o tema feitiçaria e magia negra e não apenas submeter-se a iniciações em cursinhos de final de semana“.

Levando-se em consideração o caráter eminentemente esotérico dos reais fundamentos do que chamamos comumente de “magia”, faltou o autor explicar como estudar a fundo tal tema. Aliás, ao que parece, faltou a ele este estudo aprofundado antes de escrever esta obra.

Alguém pode dize que estou sendo precipitado em minhas críticas já que tenho apenas um extrato da obra, mas se algo começa com conceitos equivocados, com certeza, dificilmente conterá uma conclusão acertada.
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