Pode até ser notícia velha, mas como me ensinou um amigo jornalista: “notícias não são velhas ou novas, apenas surgem e passam.”

Como de praxe,estava tomando meu café da manhã com minha mãe e ela, uma senhora bem informada, comentou sobre o fato do “bispo” Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, ser portador de um passaporte diplomático, documento este, que até onde eu sabia, era restrito às autoridades da República, como Presidente dos Três Poderes, Ministros de Estado e, claro, diplomatas e demais autoridades previstas no artigo 6º e seus incisos e parágrafos, da Lei 1.983/96.

Estupefato com a notícia e achando que a minha bem informada genitora havia se enganado, fui pesquisar sobre o assunto e descobri que o líder da IURD é, realmente, o feliz portador de um passaporte diplmático, que faz com que seus portadores gozem de vários privilégios nos paises estrangeiros desde que o governo local o reconheça como membro de uma missão diplomática.

Não consegui enquadrar Edir Macedo em nenhuma das condições previstas na Lei que regulamenta a emissão de passaportes diplomáticos. Alguém pode até argumentar que o “bispo” da Igreja Universal goza de tal privilégio em função de interesse do país, como previsto no art. 6º, § 3º da Lei 1.983/96.

Sendo este o caso, sinceramente, para mim a coisa fica até mais obscura, já que também não consigo enquadrar Macedo no rol restrito das grandes personalidades brasileiras que defenda algum interesse de nossa Nação no exterior, pelo contrário: a IURD vem sendo alvo de investigações criminais na maioria dos países em que tem sede, sendo que em muitos lugares foi proibida de exercer suas atividades e até mesmo teve missionários expulsos.

No Brasil, é público e notório o envolvimento da IURD e seus membros em uma série de maracutaias e crimes, inclusive evasão de divisas como foi o caso do “bispo” deputado João Batista Ramos da Silva (PFL/SP) flagrado pela Polícia Federal com milhões de reais, inclusive com alguns maços de notas escondidos na cueca.

Alguns líderes da Igreja Universal, como ex-deputado federal “bispo” Rodrigues, que foi preso por envolvimento com a chamada “Máfia dos Sanguessugas”, o “pastor” e também ex-deputado Reginaldo Germao (PP/BA) preso por receptação de veículos roubados, o ex-deputado e ex-obreiro João da Penha, preso em Bayeux por irregularidades em uma empresa que presta serviço à orgãos públicos, isto sem falar, é claro, nas centenas de ações criminais e cíveis que a IURD responde por este país afora.

E o nosso Governo (ou será desgoverno) concede ao líder destes quadrilheiros um passporte diplomático, o que o faz, em tese, ser um representante de nossa Nação no exterior?

Se tal situação estapafúrdia, para dizer o menos, fosse uma (triste) exceção, uma viagem alucinógena deste governo petista, uma dos mais corruptos que este país já teve, até que poderiamos dar um desconto, mas em conversa com conhecidos que trabalham para a União, fui informado que alguns Cardeiais e Bispos católicos também gozam desta regalia.

Diante disto, fico a me perguntar quantos Sacerdotes de Umbanda e Candomblé, assim como monges budistas, dirigentes kardecistas, além de representantes de outras religiões, possuem passaportes diplomáticos. Mais relevante ainda, é perguntar porque um Estado Laico, como em tese é o Brasil, nomeia religiosos, que nenhuma ligação oficial tem com o Governo, como representantes deste no exterior.

De toda forma, a Constituição Federal prevê igualdade entre os cidadãos brasileiros portanto, como Sacerdote de Umbanda, que vai passear na Disney no próximo ano com os filhos, quero meu passaporte diplomático. Talvez, assim, eu me sinta tratado pelo meu Governo como esperto Mickey, ao invés de me sentir como o idiota Pateta por acreditar, realmente, que a Lei neste país é para todos.

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