Perdi o sono.

Acordei por volta das quatro horas da manhã e não consegui dormir mais. Foram duas horas e meia há menos de sono, levando em consideração o horário normal para a minha alvorada. Preciso de pelo menos oito horas diárias de descanso para “funcionar” bem.

“Hoje será um dia daqueles”, penso olhando para o teto.

Então lembro que meu filho chega hoje, para um fim-de-semana cheio de video-game, zoológico, parque, cinema, teatro. Enfim, terei um final-de-semana cheio de atividades com meu Pequeno Kundun e nosso fiel companheiro de farras, meu sobrinho Henrique.

Afinal de contas, talvez o dia não seja tão duro ou desgastante como imaginei, já que ao chegar em casa, após um dia chato de trabalho, meu filho estará esperando para me dar um longo e carinhoso abraço.

Levanto, vou à cozinha para matar a minha sede. Em geral gosto de tomar água tônica, mas não achei apropriado fazê-lo às quatro da manhã, por isto resisto à tentação e me sirvo de água filtrada, fresquinha, diretamente do filtro de barro, praticamente um ícone familiar. Nada de “super-filtros” ionizados… não… em minha família ainda mantemos algumas tradições, dentre elas o bom e velho filtro de barro e suas velas com carvão ativado.

Ouço, ao longe, o barulho do motor de uma moto para logo depois ouvir o baque seco de algo jogado no meu quintal. Meu jornal chegou. Abro a porta, pego o pacote e retorno à cozinha para coar um café. Obviamente, usando a tradicional técnica do bule, água fervida no fogão e o coador de pano. Nada de cafeteira elétrica.

Sento à mesa e folheio o jornal. Não o lerei agora. O cheiro de café novo toma conta da casa e sinto uma vontade enorme de estar em um sitiozinho ou uma fazenda. Vou à geladeira e me sirvo de um belo pedaço de queijo minas para acompanhar o café recém passado.

De súbito, lembro-me do blog e que não escrevi nada no dia de ontem. Ligo o computador e, como todas as manhãs, descarrego centenas de emails que foram enviados por amigos, inimigos e, principalmente, pelas listas que tratam sobre Umbanda.

Descarto os já tradicionais emails ofensivos e ameaçadores que recebo quase que diariamente, em geral vindos de simpatizantes (ou pelo menos assim se identificam) de um ou outro “líder” umbandista, que teve alguma idéia ou posicionamento seu questionado no blog, o que não agradou aos seus puxa-sacos.

Algum lixo eletrônico, mensagens de amigos e conhecidos, uma nova amizade em uma comunidade de relacionamento qualquer, avisos do sindicato, convites para a posse de alguém, festa em homenagem aos Pretos-Velhos e o eterno bate-boca entre membros de “facções umbandistas” contrárias umas as outras. Em meio a estes últimos, os desagravos, os agradecimentos, depoimentos e a puxação-de-saco de sempre à Rivas Neto e a malhação em cima de Saraceni.

“Nada de novo” – penso, enquanto me sirvo de outro pedaço de queijo e tomo um grande gole de café.

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