Este mundo umbandista é realmente muito engraçado.

Todos os dias nossas caixas de e-mails são bombardeadas com “quilos” de propagandas institucionais da Faculdade de Teologia Umbandista e verdadeira apologia ao culto à personalidade de Rivas Neto, seus feitos “extraordinários” para a Umbanda e tudo mais.

O que sempre chamou minha atenção, porém, é o discurso sobre diversidade, convergência, paz mundial, convivência pacífica e, principalmente, a tal TOLERÂNCIA IRRESTRITA. Confesso que quando me deparei com este discurso cheguei, realmente, a acreditar que uma nova era surgia na Umbanda e que Rivas Neto, assim como seus discípulos, abandonariam as velhas táticas de ataques pessoais, desrespeito às convicções alheias, dentre outra coisas que praticaram por anos à fio nas listas de discussões e comunidades virtuais.

Ledo engano da minha parte.

O que ocorreu, na prática, é que os ataques simplesmente tornaram-se velados, obviamente direcionados àqueles que, como eu, não temo o mínimo alinhamento ou simpatia pela idéias do semi-deus da Vila Alexandrina e acreditamos que isto tudo não passa de mera manobra, populismo barato e hipócrita, afim de aumentar sua influência dentro da religião.

A primeira vista, defender “tolerância irrestrita” dentro do meio parece algo digno, louvável, bem vindo, não é mesmo? Pois é. Seria caso realmente isto fosse colocado em prática, mas a verdade é que tal conceito, na visão de Rivas Neto e os seus, comporta exceções, tornando algo que deveria ser “irrestrito” condicionado à certas limitações, em especial no que tange o trabalho dos desafetos declarados do semi-deus da Vila Alexandrina.

O termo “irrestrito“, de acordo com o dicionário Houaiss, significa “amplo, ilimitado“.

Qualquer criança sabe, portanto, que quando condicionamos algo estamos limitando-o. E o condicionamento que a OICD/FTU impõe à “tolerância irrestrita” é aquilo que Rivas Neto julgar certo ou errado dentro do meio, ou seja, o que devemos respeitar ou não, de forma ampla, é aquilo que o “yamunisiddha”, por seus próprios critérios, escondido atrás da chancela da “academia” (que ele mesmo criou e comanda com mãos-de-ferro).

Portanto, se questionamos (e nos posicionarmos contra) a matança de animais, o uso de cartolas, capas, cocares e atabaques em reuniões mediúnicas, somos intolerantes, retrógados, etnocentricos, etc. Se estamos contra as patacoadas vindas da Vila Alexandrina, somo invejosos, “mãos vazias” (este termo sempre me faz rir muito…), incapazes, blá, blá, blá.

Mas, por outro lado, Rivas Neto se posicionar contra a doutrina pregada por Rubens Saraceni, contra os cursos que são ministrados por ele e seus seguidores, dentre outra coisas, é uma questão de “senso crítico” em não tolerar o que é “errado” e “danoso” à religião umbandista.

Aliás, a perseguição doutrinária não pára em Saraceni, visto que o médium Firmino José Leite, que incorpora Pai Joaquim d’Aruanda e quem tem vários vídeos na internet, também é alvo de polêmicas e ataques por parte da turminha da OICD/FTU. O professor Adilson Marques, que fez um trabalho profundo sobre a doutrina do citado médium, foi EXECRADO por discípulos e simpatizantes de Rivas Neto, não faz muito tempo, na famigerada lista “apometria e umbanda”.

Perceberam?

Rivas Neto, agora com o apoio da FTU, arvorou-se no “amo e senhor” da Umbanda, definindo, com base na “academia”, o que é certo e errado dentro da religião, emitindo pareceres, através dos “dedos” de seus cupinchas, sobre a validade de uma manifestação doutrinária. A “tolerância irrestrita” pregada por Rivas Neto, está irrestritamente ligada ao que ele acredita ser correto dentro da religião.

A recente celeuma criada entre discípulos de Rivas Neto e seguidores de Rubens Saraceni nas listas de discussões, claramente, comprova isto. A cerne da questão são os cursos que são ministrados por Saraceni e muitos dos seus discípulos, que a turminha da Vila Alexandrina acusa de formar “pais e mães espirituais” em massa o que, até onde sei, não é verdade.

Quando tinha assuntos à tratar em São Carlos/SP, estive em contato com pessoas ligadas à Rubens Saraceni e fui convidado a assistir a um destes cursos e posso atestar que não há, pelo menos naquele no qual eu estive, intenção de formação de sacerdotes, no que pese, por óbvio, não ser segredo a formatura de “magos” da “magia” disto ou daquilo por eles. O que vi foi um curso de teologia (claro, dentro dos padrões teológicos da “Umbanda Sagrada” de Rubens Saraceni) e, verdade seja dita, não vi o palestrante incorporado por nenhuma entidade, como acusam os “oicidianos”.

Antes que digam que estou de conluio com Saraceni e os seus contra os “iluminados da Vila Alexandrina”, quero deixar patente que não tenho NENHUM CONTATO com ele ou seus discípulos. A minha opinião sobre a doutrina pregada por eles continua a mesma, mas devo atestar o que presenciei.

De toda forma, as vezes que estive em Casas de Umbanda que seguem a “Umbanda Sagrada” de Saraceni, sempre fui muito bem recebido em especial quando tinham a informação de que nenhuma relação tenho com a OICD, apesar de praticante da assim chamada “Umbanda Esotérica“.

Enfim, a “tolerância irrestrita” pregada por Rivas Neto é um embuste, assim como todos os demais conceitos aos quais, verdadeiro “spam“, somos submetidos diuturnamente. Condicionar algo irrestrito não faz, absolutamente, sentido algum.

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