Há alguns dias que o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, é figurinha fácil no noticiário internacional. O ex-bispo católico, que vem sendo chamado de “O Pai do Paraguai” ganhou projeção por conta de três reivindicações de paternidade feitas por mulheres que no passado tiveram um romance com ele, à épcoa que ainda era representante da Igreja Romana.

Até ai não vejo nada demais, tirando o fato que o ex-bispo quebrou seus votos e, creio, que aquele que se dispõe a jurar solenemente sobre algo deve honrar tal atitude. Mas esta questão do celibato obrigatório para os sacerdotes católicos não funcionou no passado, não funciona no presente e não funiconará no futuro.

O que me surpreendeu mesmo foi a postura da CNBB, que através do seu porta-voz, Dom Orani Tempesta, teve o seguinte posicionamento sobre o assunto:

“Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se estou sendo fiel àquilo com que me comprometi.”

Pera ai…

Não cabe a Igreja julgar ninguém?!? =/

A mesma Igreja que excomungou a mãe que autorizou a interrupção da gravidez da filha de onze anos que foi estuprada, assim como toda a equipe médica que levou à cabo o procedimento, vem dizer que não cabe à ela julgar ninguém?

Dom Orani poderia ter lembrado ao seu colega, o arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho, aquele que chegou a tentar impedir a interrupação da gravidez da garota estuprada, mesmo que tal procedimento tenha sido autorizado pelo judiciário, deste posicionamento da Igreja Católica.

Realmente é uma pena que o bispo Orani Tempesta não era clérigo católico à época da inquisição espanhola, já que este seu posicionamento teria poupado milhares de vidas ceifadas por Torquemada e seus asceclas.

O corporativismo hipócrita da CNBB é tão descarado, que nem seria preciso dizer mais nada.

A tentativa do orgão máximo da igreja romana no Brasil, sendo também o mais influente do continente, em minimizar a responsabilidade do ex-bispo demonstra como Bento XVI, como bem assinalou o vaticanista italiano Marco Politi em recente entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, comporta-se de forma errática e paradoxal.

Não é à toa que o catolicismo perde fiéis aos milhares para outras religiões, em especial as evangélicas, visto que insiste em posturas arcaicas, uma estrutura falida e tradições que estão, simplesmente, na contra-mão da moderna sociedade mundial.

De toda forma, esta é uma excelente lição não somente para os católicos, mas também para nós, umbandista, já que estamos em uma época onde a maioria dos adeptos de nossa religião anda apostando todas as “fichas” em lideranças que, com raríssimas exceções, seguem rumos obscuros, erráticos e, principalmente, contraditórios.

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Foto: Antônio Cruz – Agência Brasil – Radiobrás
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