Era chamada “pitonisa”, pelos gregos, toda mulher que tinha o poder de adivinhar o futuro. Já o deus da adivinhação, Apolo, era também chamado de Pítio, quer por haver matado a serpente-dragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito.

O primeiro oráculo de Delfos era conhecido geralmente como Sibila, embora seu nome fosse Herófila. Ela cantava as predições que recebia de Gaia. Mais tarde, Sibila tornou-se um título dado a qualquer sacerdotisa devotada ao oráculo.

A sibila apresentava-se sentada na rocha sibilina, respirando os vapores vindos do chão e emitindo as suas frequentemente intrigantes e confusas predições. Pausanias afirmava que a Sibila “nasceu entre o homem e a deusa, filha do monstro do mar e uma ninfa imortal“. Outros disseram que era irmã ou filha de Apolo. Ainda outros reivindicaram que Sibila recebera os seus poderes de Gaia originalmente, que passou o oráculo a Têmis, que depois o passou a Phoebe.

De toda forma, independente da veracidade dos poderes premonitórios do oráculo e toda lenda que o cerca, a verdade é que o povo grego se dirigia ao Templos, que ficava no planalto Phaedriades, junto ao monte Parnaso e sobranceiro ao vale de Pleistos, em busca de previsões.

Dizem que nos portais do Templo, havia uma inscrição, atribuída aos assim chamados “Sete Sábios”, que dizia: “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses“.

Acredito que está na hora de adotarmos esta mesma inscrição em nossos Terreiros.

A cena, com certeza, é conhecida: o consulente se dirige para a consulta com a Entidade e espera que ela revele seu passado, presente e futuro. Acreditam que os mentores espirituais são onipresentes e oniscientes, e ao invés de chegarem e expor seu problema querem que eles adivinhem o que está acontecendo.

Tal atitude é um desrespeito à Entidade, que não está ali para fazer nenhum truque de mágica de circo mambembe ou artista de rua, mas também denota falta de consideração com as outras pessoas que estão aguardando atendimento. Se permitem o coloquialismo, isto é uma babaquice.

Nenhuma Entidade incorporada tem o dever de saber de tudo sobre a vida da pessoa que está à sua frente. Como já disse, os mentores não são onipresentes ou oniscientes e quem espera este tipo de comportamento da parte de médiuns sérios, positivos e firmes, que trabalham com Entidades de fato e de direito, vai sair decepcionado.

Como vivo dizendo para meus discípulos, a Umbanda não é a “lâmpada mágica” e nossos Mentores não são o seu “gênio”. A cada um é dado conforme suas obras e seu merecimento, não importando quão sério a pessoa acredite ser o seu “causo” ou queira testar a veracidade da comunicação mediúnica esperando revelações e previsões por parte de nossos Guias.

No mesmo caminho seguem aqueles que acreditam somente nas Entidades que se manifestam através do médium-chefe do Terreiro e se acham muito importantes para se consultarem com as demais. Se bem que há, em alguns casos, uma propaganda enorme por parte dos médiuns sobre os “poderes” e “graus” das Entidades que os assistem, como é o caso de um determinado “mestre” por ai que só trabalha com “Cabeças de Legiões”.

Lembro-me dos ensinamentos de Pai Domingos da Cruz, incorporado no saudoso “Tio” João dos Santos, que sempre explicava à assistência que a corrente mediúnica é uma só e que não haviam diferenças entre ele (que era o Chefe do Terreiro) e as Entidades dos demais médiuns. Este tipo de comportamento, infelizmente, não é apenas da assistência, mas também dos médiuns.

O melhor que os dirigentes têm à fazer é instruir seus médiuns e assistência sobre estas coisas, deixando claro que todas as Entidades, independente do grau em que estejam (e convenhamos, nenhuma delas chega gritando aos quatro ventos ser chefe distou o daquilo…) estão aptas a resolver qualquer problema dentro do grau de merecimento de cada um que as procuram.

É importante também que os médiuns-chefes rechacem qualquer tipo de mistificação e supervalorização de sua própria mediunidade. Chega a ser patético um chefe de Terreiro que fica o tempo pavoneando-se e, pior ainda, quando permite que seus filhos-de-santo fiquem por ai, a todo momento, cantados loas, destacando seus poderes”, habilidades e feitos.

Mais patéticao ainda é quando insistem, publicamente, em afirmar e reafirmar seu tempo no “Santo” e sua árvore genealógica.

Isto é de um pedantismo, de uma babaquice, sem par.

Pessoas como Hitler, Aleister Crowley, Rasputin, Samael Aun Weor, dentre outros iniciados de outras Tradições, também podiam se gabar de conhecerem a sua genealogia iniciática. Nem por isto foram pessoas que usaram isto para um fim produtivo exceto, é claro, para benefício deles mesmo o que, diga-se de passagem, vem acontecendo comumente dentro da Umbanda, ainda mais depois do “vale-tudo” que andam pregando.


Nem sempre o que é mais antigo ou segue uma tradição é o melhor.

Enfim, nós umbandistas devemos nos dar conta que, muitas vezes, usamos demais a palavra “humildade”, nos mostramos muito “humildes” por fora, mas nossas atitudes são completamente contraditórias em relação aos nossos discursos. É hora de pararmos de falar em humildade e, efetivamente, exercê-la.

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Imagem:

Pitonisa – óleo sobre tela.

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