Em meio a Segunda Guerra Mundial, judeus estavam sendo massacrados pelo Reich alemão. Isto foi a inspiração de Charles Chaplin para produzir uma dos melhores filmes já visto e, genialmente, interpretar os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu.

Irônico e atrevido, este filme causou sua expulsão dos Estados Unidos, mas criou também uma obra-prima única com uma das melhores mensagens anti-guerra já transmitidas ao homem.

A antológica cena em que o ditador brinca com o globo, como uma criança com um balão de gás, traduz perfeitamente o que Hitler fazia com o mundo naquela época, assim como ilustra o que determinados “lideres” estão fazendo com a Umbanda e seus adeptos nos dias de hoje.

Assim como no filme, vivemos em uma ditadura teológica e comportamental dentro da Umbanda. Mais do que isto, apesar de todo o papo de “tolerância” e respeito à “diversidade”, nos bastidores continua se travando uma guerra fatricida entre “líderes” que querem, à todo custo, dominar o panorama umbandista.

De um lado, ao invés de um barbeiro, um açougueiro. Do outro um megalômano como há muito tempo não se via igual, com seguidores fanáticos e sempre prontos parar declarar guerra a quem ousar discordar do seu mestre. Não que os seguidores do açougueiro sejam menos belicosos, mas são, com certeza, mais discretos.

Como em todas as guerras, desde o início da humanidade, o objetivo desta é de dominação e, claro, lucro. O açougueiro quer viver da venda de seus livros e cursos, e o megalômano também, só que este último não quer concorrência. Isto é algo típico do megalômano, já que ele acredita que está nesta Terra, há milênio, como um condutor da humanidade, uma espécie de avatar. Ah!, os megalômanos são tão sonhadores, tão divertidos!!!

Pode detrás de cada um existe um exército de discípulos, simpatizantes e puxa-sacos em geral, sendo que estes últimos são os mais perigosos pois em geral são usados como “testas-de-ferro”, inocentes úteis, pelos seus mestres. São eles que, são incitados a cometer crimes contra a honra dos desafetos de seus ídolos e pagam judicialmente no lugar deles.

Em toda guerra que se preze, não pode deixar de existir a máquina de propaganda. As listas de discussões sobre a religião são os principais e mais baratos canais de comunicação que os contedores encontraram, sem falar em sites onde podemos ver os “generalíssimos” falando ao seu séquito. Em geral tais discursos se baseiam em trocas de farpas e desafios mútuos (que nunca são aceitos por nenhuma das partes), mesmo que de forma velada.

Aliás, as tropas destes “generais” são um espetáculo à parte já que além de cômicos em suas colocações públicas (temos até alguns metidos à linguístas, apesar de mal terem terminado o ensino médio), onde de cada dez palavras, sete são para elogiar e fomentar o culto à personalidade do mestre, duas para atacar o “inimigo” e uma sobre o tema proposto na discussão.

Mas os contendores tem algo em comum: ambos se dizem defensores da Umbanda e que o único interesse é dignificar a religião. Insistem em dizer que não querem lucrar com isto, apesar de um deles já ter confessado que vive na Umbanda, pela Umbanda e da Umbanda e o outro ter claras pretensões políticas nas eleições de 2010.

Assim como no filme, onde o ditador alemão divide hilárias situações com o outro ditador, Napoloni (satirizando Mussolini), onde os dois ficam em uma constante disputa de ego. A cena da barbearia, onde os dois ficam subindo as cadeiras para que o outro olhe para cima, e a briga de comida ilustram bem o que vem acontecendo entre estes dois líderes umbandistas.

Tomando emprestado trechos do magnífico “Último Discurso” do ditador de Chaplin, peço “agô” para adaptá-lo para uma realidade dentro da Umbanda que, infelizmente, nunca acontecerá e, na melhor das hipóteses, demorará muito para vir:
“Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

É pela promessa que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo.

Umbanda, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Umbanda? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Umbanda! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Umbanda! Ergue os olhos!”

Roguemos a Oxalá que este mundo novo não tarde a chegar.
Anúncios