Não precisa me dizer, pois sei que estou na contra-mão de todo este lixo hipócrita, este modismo idiota e oportunista que vem tomando conta do movimento umbandista nos últimos anos. Também tenho plena consciência que meus artigos soam belicosos e, para alguns, até mesmo ofensivos, mas não estou minimamente preocupado com isto.

Como umbandista posso dizer tudo o que digo, pois não tenho uma mordaça, e além do mais, não sou cego, não tenho uma venda em meus olhos e, ainda mais, nada tenho tapando os meus ouvidos. Deus me proveu de um cérebro para fazer avaliações e isto me leva a crer que o movimento umbandista parece estar num estágio de “câncer” terminal.

Este verdadeiro “oba oba” que vemos na comunidade umbandista, com toda esta frescura, esta exacerbação da importância de faculdades, conselhos, parlatórios, locutórios e outros “orios”, longe de ser algo positivo para a religião, como já disse, estão transformando a “Banda” em uma imensa colcha de retalhos, um grande fio de lã enrolado sem nenhum critério, cheio de nós e amarras.

Mas o pior é mesmo é que a massa, aquele rebanho de ovelhas que realmente acreditam que tanta propaganda dos feitos do do pai “x” ou da mãe “y”, são realmente iniciativas para engrandecer a Umbanda, em fazê-la respeitar como religião, sem nenhum interesse financeiro, político, sem falar de outros que por uma questão de decoro prefiro não declinar.

O que tenho ouvido e lido, com raras exceções, são as mesmas desculpas covardes e esfarrapadas que ouvia (e ainda ouço) no meio evangélico sobre a malservação do dinheiro de dízimo e ofertas por seus pastores: “faço a minha parte, se o pastor fulano estiver me enganando que preste contas à Deus“. Troque “pastor” por “pai-de-santo” e “preste contas à Deus” por “preste contas à Oxalá” e entenderá o que quero dizer.

Infelizmente, admito, a maioria dos umbandistas fazem com que a nossa religião não tenha identidade. Alguns terreiros de Umbanda fecham no período da quaresma, alguns têm novenas e rezam o terço, seguem o calendário litúrgico católico e, pasmem, existem pessoas que se dizem umbandistas que se importariam de ser excomungadas pela “Santa Madre Igreja Católica”, como podemos ver na enquete do último mês [março/abril 2009].

Outros fazem da Umbanda uma espécie de “filha caçula” do Candomblé e, pior, um sub-produto do kardecismo, movimento este, aliás, que despreza as nossas tradições e crenças, nos taxando de animistas, mistificadores e, como Divaldo Franco, as Entidades que trabalham usando a roupagem fluídica de “Preto-Velho” de piegas.

Enquanto isto, em alguns terreiros que se dizem de Umbanda, comandos por USURPADORES e FARSANTES, até mesmo que se dizem “iniciados” no Astral pelo próprio Matta e Silva, reservam dias no calendário para sessões nos moldes kardecistas.

Como coloquei no artigo de anteontem, escritores que fracassaram no meio espírita e até mesmo foram expulsos da Federação Espírita Brasileira que não os consideram como escritores e sim como COMPILADORES, apontam suas “penas” fracassadas para o meio umbandista, com livros sem pé e nem cabeça, com narrativas parecidas com aqueles que vemos em filmes como “Harry Potter” e “Senhor dos Anéis“, e têm seu lixo literário e “doutrinário” acolhido em nossas fileiras.

Vivemos a época do “tudo pode”, “tudo é válido”, “tudo é umbanda”, partindo de escroques que dizem estar dignificando a Umbanda, mas na verdade dignificam unicamente seus bolsos, suas pretensões políticas e suas alcovas.

Enquanto mantivermos esta postura covarde, servil, submissa em relação a toda esta contaminação que se espalha em nosso meio, venha de onde venha, continuaremos a ser uma sub-religião, sem identidade, rumo ou futuro.

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