Todos estamos familiarizados com esta imagem.

Nada podia ser mais representativo para falarmos sobre a hipocrisia evangélica em relação à própria fé mas, principalmente, na crença alheia.

O primeiro macaco é o cego e representa o evangélico que vive criticando e atacando outras confissões religiosas, mas não consegue ver a podridão que ronda o seu próprio meio.

Vivem taxando as religiões de matriz africanas de “coisa do demônio”, seus adeptos de “servos de satanás”, falando das “maldições” que recaem sobre as vidas das pessoas que frequentam nossos Terreiros, mas justificam como “vontade de Deus” desastres como os ocorridos na sede de Igreja Renascer em janeiro deste ano, na cidade de São Paulo.

Advertem seus fiéis e simpatizantes sobre o “engano de satanás” em relação à mediunidade e as comunicações entre o mundo astral e o físico, mas ensinam sobre cobras (Gen 3:1) e mulas (Num 22:28) falantes. Para este povo, pelo jeito, é mais verossímel falar com animais do que com espíritos desencarnados.

Falam sobre magia, como se Moisés não tivesse sido um dos maiores magos que este mundo já viu. Esquecem que ele foi criado pela família real egípcia e que, por tradição, os homens da Casa Real eram iniciados nos Mistérios de Hórus.

Condenam os sacrifícios de animais (que chamam de “coisa do demônio”), mas esquecem que na Bíblia há várias passagens onde cordeiros e outros animais eram imolados e o sangue espargido no altar do Sanctum Sanctorum” (Exo 30:10; Lev 7:2). Mas como isto era para o “deus” deles, está tudo certo, justificado. Os deuses dos outros é que não podem se alimentar de sangue. (não que eu defenda os sacrifícios, fique bem claro.)

O segundo macaco é o mudo e representa o evangélico que não fala das coisas que acontecem em seu próprio meio, mas adora falar dos outros.

São aqueles que defendem figuras como o casal de “apóstolos” Hernandez, o “bispo” Edir Macedo, dentre outros, que enriquecem à olhos vistos e tem seus nomes envolvidos em problemas judiciais, mas vivem a falar contra qualquer problema com padres e sacerdotes de outras religiões. As suas bocas se fecham para os escândalos do próprio meio, mas se abrem para os que acontecem em outros.

Quando surge qualquer notícia desabonadora em relação a algum evangélico ou igreja, gritam aos quatro ventos que são vítimas de perseguição, de intolerância, mas não se importam em denegrir outras religiões em seus programas de rádio e televisão e até mesmo como, ao que parece, virou moda, invadir e destruir terreiros e centros umbandistas, candomblecistas e espíritas.

O terceiro macaco, que considero o pior deles, é o surdo.

É o evangélico típico que acredita que somente aquilo que ouve de seu pastor é o certo, o verdadeiro, a “vontade Deus”. Não consegue dialogar e se colocar em um ponto neutro para analisar nenhum tipo de argumento que é apresentado.

É aquele que quer pregar para você, mas não quer ouvir nenhum tipo de contra-argumentação. Acredita que aquilo que está falando é a verdade absoluta, que ele está do lado direito de Deus e que ninguém tem o direito de negar aquela “verdade”. Ele não quer conversar e sim impor a sua doutrina para os outros.

O maior problema que, cia de regra, o evangélico surdo possui características dos outros dois, o que o torna, sem sombras de dúvida, o religioso mais antipático e intolerável que se possa conceber.

Mas, se você é evangélico e está lendo este artigo, não fique magoado comigo. Existem muitos “três macacos” no meio umbandista também. Aliás, em especial entre alguns “líderes” e seus seguidores, é o que mais achamos.

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Foto: Os Três Macacos Sábios – Artesanato em Rhodes, Grécia, 2005.

Fotógrafo: Raul Zito
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