Não gosto da palavra “tolerância” e já deixei claro, várias vezes, o motivo.

A tolerância remete que a minha autorização é necessária para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa, portanto digo, com orgulho, que não sou uma pessoa tolerante com absolutamente nada neste mundo, já que cada pessoa pode (e deve) fazer o que entender por certo com a sua vida.

Não ser tolerante, em absoluto, faz com que eu seja intolerante.

A lógica é simples: se as pessoas não necessitam da minha autorização para fazer, não estarão sujeitas à nenhuma ação repressiva de minha parte. Sim, porque a tolerância e a intolerância, no fundo, são a mesma coisa: a primeira faz entender que possuimos o poder de permitir e a segunda de restringir.

Particularmente, prefiro o respeito à tolerância.

Quando respeito algo quer dizer que entendo os motivos de outrem em fazer ou não determinada coisa, pensar desta ou daquela forma. Diferente da tolerância, o respeito não me obriga a compactuar com nenhuma ação ou pratica que venha a ferir a minha própria consciência ou ofender meus valores.

Tendo uma atitude respeitosa em relação à qualquer coisa, posso também criticar, expor minha discordância com aquilo sem, necessariamete, ofender ninguém. A intolerância não permite isto, visto que, via de regra, demonstra posturas belicosas e preconceituosas sobre determinado tema.

Para respeitar, portanto, não preciso coadunar com nada, aplaudir posturas e gritar “Huzzé, Huzzé, Huzz锹 para nada que façam ao meu redor, seja dentro da Umbanda, no meu ambiente de trabalho, familiar, maçonico ou seja lá onde for.

Em outro giro, porém, já que falamos de contrafações, devemos tratar do desrespeito.

A verdadeira intolerância, na verdade, está exatamente em desrespeitar a convicção alheia, tendo ou não o poder de interferir em sua manifestação.

É o que acontece, diariamente, dentro da Umbanda.

Os hipócritas de plantão pregam uma tolerância irrestrita à diversidade presente dentro da Umbanda, mas restringe tal benesse àqueles que coadunam com suas idéias. Se você não faz uma sangueana em sua casa, não toca tambores ou tem práticas “tântricas” em seus ritos, então você é fundamentalista, intolerante, retrógado.

Ao serem questionados sobre a impossbilidade de criticar qualquer coisa dentro da Umbanda, este teólogos umbandistas de “fundo de quintal”, apesar do discurso universalista, respondem que só devemos (e podemos) criticar aquilo que é errado dentro da Umbanda. E o que é errado? Eles, da “academia”, que nos dizem o que é ou não aceitável dentro da religião.

O respeito às suas idéias, ao seu direito de pensar e decidir sozinho, para estas pessoas, acabou. Agora a Umbanda deve seguir o que é ditado pela “academia”, sem questionamentos, caso contrário você será considerado fundamentalista, praticamente um terrorista.

O mais estranho nisto tudo é que neste “oba, oba” da “umbanda vale-tudo” que inventaram, ninguém consegue perceber sinais tão claros da bazófia que é este discurso de “diversidade”, “tolerância”, “respeito incondicional”, pregado por uns e outros. As contradições e os objetivos estão bem evidentes, mas parece que ninguém enxerga e se o fazem não têm coragem suficiente para apontá-las.

Não há, na verdade, “tolerância”, “convergência”, “diversidade”, pelo contrário. O que existe é uma imensa manipulação da sua consciência, da sua necessidade de estar inserido na “pós modernidade” umbandista e assim ser aceito no meio dos “acadêmicos”, de levar alguns tapinhas nos ombros ou ter o seu nome e terreiro destacado por algum dos membros do “Estado Maior” da Vila Alexandrina.

Você quer ser membro da “turma”, que “status”, “poder”, projeção no meio. Enfim, quer alimentar seu ego apoiando uma mentira. Uma mentira que de tanto que é escrita, falada, enfim, massificada diariamente, já se tornou uma verdade para você e mais um monte de gente da comunidade umbandista.

A sua capacidade de discernimento, de livre pensamento, seu senso crítico está sendo manipulado por conta de honrarias e destaques mundanos. E se isto está acontecendo com você, caro leitor, com todo respeito que merece, só tenho a dizer uma coisa: és um otário.

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¹ aclamação feita em Loja Maçonica em alguns momentos especiais; triplice aclamação feita após a abertura do LIVRO DA LEI e também no seu fechamento nos ritos maçonicos.

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