Faz algum tempo prometi à mim mesmo que não mais escreveria sobre as contradições entre o discurso e a prática de Rivas Neto, consolidadas nas atividades da FTU/OICD e todas as demais siglas, esta verdadeira “sopa de letrinhas”, que ele e os seus insistem em enfiar garganta abaixo da comunidade umbandista.

Mas algumas coisas, simplesmente, não podem ficar sem resposta.

Em primeiro lugar, esta hipocrisia de pregar uma tolerânci irrestrita não passa de discurso vazio, sem nenhum lastro, que se contradiz nas reiteradas vezes que a FTU/OICD ataca o trabalho de Rubens Saraceni e, mais recentemente, do antropólogo Adilson Marques e seu trabalho junto a um médium que diz receber Pai Joaquim d’Aruanda e divulgou alguns conceitos pouco ortodoxos, que foram a base, salvo engano de minha parte, de um livro sobre o assunto.

Quando Adilson, inocentemente, expos as idéias desta entidade, que se manifesta através do médium Firmino José Leite, de São Carlos, não demorou nada para que os partidários de Rivas Neto e puxa-sacos em geral atacassem os conceitos e as pessoas envolvidas, inclusive chamando o antropólogo de plagiador.

Apesar do discurso em contrário, Rivas Neto, protegido pela “academia”, como ele gosta de se referir à FTU, utiliza, como sempre, seus “testas-de-ferro” na internet para desmontar qualquer idéia ou manifestação dentro da Umbanda que não venha de sua grisalha cabecinha. Por melhor que seja qualquer iniciativa, se não partiu da Vila Alexandrina, logo os discípulos de Mestre Arapiaga, em especial João Carneiro, Fornari, William, dentre outros, a desmerecem publicamente de forma virulenta.

Para esta turminha, apenas as inovações (que em geral nada têm de “novas”, visto se tratar apenas de idéias antigas que não foram colocadas em prática por seus idealizadores no meio) que partem da FTU/OICD/CONSUB/CONUB são dignas de atenção por parte da comunidade umbandista.

Não é dificil ouvir e ler nos discursos desta gente, em especial nos “pronunciamentos” de Rivas Neto, que a tolerância e o respeito às diferenças deve ser absoluta, para mais adiante aparecer o próprio Rivas Neto a falar dos “mal fadados cursos” disto ou daquilo, João Carneiro atacar, “entrelinhas”, o trabalho de Rubens Saraceni, assim como Fornari, William e outros “cabeças de coluna”, criticarem posturas e práticas daqueles que chamo de “não alinhados” com as idéias e imposições da FTU/OICD, de forma violenta.

O que há, na verdade, por detrás da FTU/OICD, como já cansei de escrever aqui, é a pretensão de ditar, usando da falácia do apelo a autoridade (“somos a única faculdade de teologia umbandista do país, portanto sabemos o que é melhor para a comunidade”) o que é certo, aceitável ou não dentro da Umbanda. Só não enxergar este joguinho baixo quem não quer.

Não faz muito tempo, Rivas Neto, em uma de suas “video-aulas”, diz que só podemos e devemos criticar aquelas práticas e iniciativas que sejam prejudiciais ao movimento umbandistas e, claro, dentre elas, estão os cursos ministrados por Rubens Saraceni e outros desafetos dele.

A matança de animais, a mistura de Xambâ, Torê, Candomblé, Omolokô, Catimbó com a Umbanda, além de outras bobagens que a própria FTU/OICD defende para o meio não são podem ser questionadas e criticadas porque, afinal de contas, vieram da cabecinha do “grande hierofante” da Vila Alexandrina.

Você, caro leitor, já parou para pensar no leriamos em listas e comunidades virtuais se a tal “faculdade de teologia umbandista” tivesse sido criada por Rubens Saraceni? Ou o CONSUB ou CONUB?

Por isto que reafirmo: esta postura da OICD/FTU é HIPÓCRITA e FARISAICA. Um engodo retórico que, infelizmente, a comunidade umbandista, em sua maioria, vem engolindo.

E para finalizar, quero comentar a afirmação de Rivas Neto em seu último “pronunciamento”, de não ser o único “top top” e “demiurgo” que existe.

Quanto a ser o “top top”, ou seja, alguém que está “acima de quem está acima”, não me espanta. A humildade nunca foi o forte de Rivas Neto mesmo e com toda esta adoração à sua pessoa não será agora que tal virtude se manifestará.

Mas, DEMIURGO?

Não sabia que a megalomania de Rivas Neto iria tão longe.

De acordo o filósofo grego Platão (428-348 a.C.), demiurgo é o artesão divino ou o princípio organizador do universo que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos. Em em seitas cristãs de inspiração platônica e no gnosticismo, é o ser intermediário de Deus na criação do mundo, responsável pelo mal que não poderia ser atribuído ao Criador supremo.Em termos humanos, seria alguém que tem poderes divinos.

No mito Gnóstico o Demiurgo foi gerado pelo eon Sophia após sua queda.

Ao ser gerado, criou o mundo material com o objetivo de aprisionar e governar as partículas divinas provenientes de sua mãe (Sophia) na matéria. Querendo que as Almas do Mundo sejam livres, Sophia rebela-se contra o Demiurgo, e o verdadeiro Deus Inefável envia aos homens o seu filho mais querido, o eon Christós ou Cristo que desce ao mundo material com o objetivo de transmitir a “Gnosis” (conhecimento) às Almas para que elas tenham consciência de sua parcela divina e partam para o Pleroma libertando-se do jugo do Demiurgo.

Com o objetivo de impedir que isso ocorra, o Demiurgo cria inúmeras ilusões para afastar as Almas de sua legítima parcela divina, de modo que estas estejam presas e sejam escravas do mundo material, tendo que sempre a ele retornar (re-encarnação). Desta forma esta entidade poderá ser o governante desta pequena Esfera de Vida onde reina absoluto.

Este ente tem a arrogância típica dos que se acham onipotentes.

Pensando bem, levando-se em conta a arrogância e outras características próprias do demiurgo exceto, é claro, os poderes divinos, é um título que cai muito bem à Rivas Neto.

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