É comum em todo caderno de classificados, em qualquer jornal do país, que entre anúncios de venda de prostituição, venda de veículos, imóveis, etc, se encontre anúncios de magos, bruxos, macumbeiros e toda sorte de “místicos” em geral.

As ofertas de serviços são as mais variadas possíveis: desde trazer a pessoa amada entre 3 – 7 dias (de certo depende da distância que ela estiver e sem virá de ônibus, carro ou avião), a cura de doenças, problemas empresariais e espirituais. Enfim, nenhum problema é grande demais que não tenha uma solução nas mãos destes “poderosos” feiticeiros.

Por várias vezes já manifestei-me à favor da chamada “Lei de Salva”, que consiste no pagamento pecuniário ao magista para a realização de determinados trabalhos, em especial aqueles que envolvem o combate a magia negra e outros tipos de demandas pesadas. Alguns trabalhos que envolvam prosperidade material devem ser motivo, igualmente, da cobrança da “Salva” no meu entender.

A diferença entre cobrar a “salva” dentro da chamada “Lei de Amra”, inclusive dando “um à quem não tem” e fazer disto um comércio, depender economicamente desta atividade, cobrando de forma extorsiva, é enorme.

A ilustração deste artigo retrata anúncios reais publicados em um jornal popular de enorme tiragem e grande circulação em Belo Horizonte. Resolvi mantê-los na íntegra, com os meios de contato, por acreditar que não haverá ninguém, em sã consciência, que procuraria este tipo de serviço após ler meu texto. Mas se acontecer de alguém se interessar e procurar algum destes vendilhões, não é problema meu.

Entre todos eles, quero destacar dois que chamam muito a atenção.

O primeiro é do tal “Zé Cavera”, que além de trazer a pessoa amada “chorando e se humilhando aos seus pés, rindo ou chorando”, é tão poderoso que “derruba até o demônio”.

Não consigo entender, porém, o motivo de uma entidade tão poderosa não prover ao seu médium uma vida material farta de modo a não necessitar vender seus “serviços” em classificados de um jornaleco qualquer. Outra coisa interessante é a inovação do tal “exu capa vermelha”, certamente um “meio irmão” do “exu capa preta” que preside ritos onde há matança de dezenas de animais diversos por ai.

A grande surpresa, porém, fica por conta do anúncio de um tal “pastor” Célio Nunes do “Santúario Pentecostal”. De acordo com o anúncio, o “pastor” tem o dom da revelação e da profecia, desenterra trabalhos de feitiçaria, revela o “profundo e o escondido” (seja lá o que venha a significar isto…), traz alegria à pessoas e tudo mais. Só faltou dizer que entre uma coisa e outra faz umas empadinhas e bolos para festas de aniversários.

Obviamente que tudo isto não passa de embuste, que estas pessoas que anunciam tais serviços não têm poder e fundamento algum para cumprir o que prometem. Só querem o embolsar o valor da “consulta” e, com sorte, convencer o consulente a fazer um trabalho dispendioso que não dará o menor resultado.

Em termos legais, apesar de muitos ficarem por ai alardeando que esta conduta é “charlatanismo”, tipo penal previsto no art. 283 do Código Penal, não é.

Poderia se aplicar, em tese, tal dispositivo legal àqueles que prometem curas milagrosas, mas mesmo assim alguns Tribunais têm entendido que as pessoas que se sujeitam à tais procedimento estão apenas exercendo sua fé e que não podem alegar, posteriormente, terem sido enganadas. Esta decisão, em termos práticos, praticamente coloca o crime de charlatanismo, como aconteceu com o antigo crime de adultério (extinto), em desuso.

Questões legais e éticas à parte, as pessoas que procuram tais serviços deveriam, antes, se perguntar o motivo pelo qual estes “poderosos místicos” vivem de anúncios como estes em jornais. Por que eles mesmo não têm a prosperidade que prometem aos outros sendo que, via de regra, atendem em salas pequenas em prédios velhos e decadentes ou em casas/apartamentos/barrações nas mesmas condições?

As benesses do mundo espíritual são regidas por algumas Leis inexoráveis, sendo que uma delas podemos resumir desta maneira: “quem deve paga, quem merece recebe”. Não há feiticeiro, mago, teurgo, hierofante, por mais poderoso que seja, que conseguirá o milagre de dar-lhe aquilo que não é de seu merecimento, seja lá o que for.

Enfim, se quer manter a pessoa amada ao seu lado, seja gentil, atencioso, honesto, decente e sempre respeite o espaço dela. Se quer prosperidade financeira, trabalhe.

A intervenção do Astral nestas coisas é rara e seletiva, reservadas a situações especiais onde as condições se mostram em sua totalidade favoráveis à quem está pedindo. Se alguém falar algo diferente disto está enganando você.

Deus não joga dados.

Anúncios