Para o leitor que não sabe, o termo “Hierofante” era usado, na antiguidade, para designar os altos sacerdotes egípcios e gregos. Atualmente se aplica aos grandes iniciados, assim como os sacerdotes das religiões modernas, à exemplo do Papa, assim como em algumas Ordens esotéricas seus líderes são chamados de Grandes Hierofantes.

O dicionário Houaiss, além da óbvia referência ao líder da Igreja de Roma, nos ensina que o termo significa “expositor de mistérios sagrados; cultor de ciências ocultas; adivinho“. Mas, em termos práticos, o Hierofante é o mais Alto Iniciado, aquele que, de acordo com Pierre Weil, na significação antiga, deve unir as diferentes pessoas e coordenar esforços, lançar pontes em todas as direções.

Apenas para ilustrar, vamos conceituar alguns termos que apareceram no último manifesto de Rivas Neto, que são “Hierofania” e “Teofania“.

Hierofania é a tomada, pelo homem, do conhecimento do sagrado, pois este se manifesta, se mostra, como qualquer coisa diferente do profano.¹

A história humana é pontuada por hierofanias: em todas as culturas encontramos o caráter sacro atribuído a montanhas, astros, rios, plantas, pessoas, coisas, lugares, eventos da vida humana. Conforme Eliade, há um paradoxo em toda hierofania, pois, quando um objeto manifesta o sagrado, ele se torna outra coisa sem, contudo, deixar de ser ele mesmo.²

O termo Teofania vem da língua grega, composto por dois vocábulos, Theós, “Deus” e phaneroô, “aparecer”. Isto é, Teofania é o termo utilizado para descrever alguma manifestação visível de Deus, na forma que Ele quiser.

Alguns eruditos, definem Teofania como uma manifestação de Deus aparecendo, seja em forma humana, seja através de fenômenos da natureza gran¬diosos e impressionantes. Em sua essência, Teofania é um termo teológico que serve para indicar qualquer manifestação temporária e normalmente visível de Deus.

Por conseguinte, é preciso se distinguir de forma enfática que há uma grande diferença entre a Teofania (que é uma manifestação temporária) e a Encarnação (que é uma manifestação permanente).³

Em termos bíblicos (à título de ilustração), podemos citar o episódio da sarça ardente, onde Deus fala à Moisés (Êx 3:2-6), a jumenta que fala com Balaão (Num 22:22-41), anunciação e concepção de Isaque (Gens 21:1-5), destruição de Sodoma e Gomorra (Gen 19:1-29), dentre outra dezenas de passagens, incluso a anunciação do nascimento de Cristo e a concepção de Maria.

Atente-se, caro leitor, para a definição de “Hierofante” dada por Pierre Weil, porque você, se acompanha tudo o que vem acontecendo nos últimos cinco anos no Movimento Umbandista, está vendo o surgimento de um “Grande Hierofante da Umbanda“.

Em verdade, a tal “diversidade”, “convergência”, “convivência pacífica” e esta “umbanda do vale-tudo” (desde que as idéias de Saraceni não entrem…) que a OICD/FTU/CONSUB/CONUB pregam, nada mais é do que a preparação para declararem Rivas Neto como o unificador da Religião, aquele que “lançou pontes” e uniu os mais variados setores umbandista em torno de uma única proposta: a dele.

Em assim sendo, não tardará para começarmos a ler nas listas, manifestos e toda esta propaganda oficial com a qual somos diariamente bombardeados além, é claro, da intensificação do culto à personalidade de Arapiaga, o mesmo ser identificado como o “Sumo Pontífice“, o “Grande Hierofante” da Umbanda.

Não que isto faça diferença para alguém que se auto-intitulou “yamunishida“, mas o peso emblemático disto é indiscutível. Uma coisa é o sujeito usar um desconhecido título de origem hindu, o qual a maioria dos mortais desconhece o significado, outra é ser tratado (e agir como fosse) o Grande Hierofante, termo muito usado e respeitado no meio místico em geral.

Tenho alertado, é não é de hoje, que toda esta movimentação de Rivas Neto (e de outros), não passa de ações de lobos em peles de cordeiros.

Toda esta tolerância, este papo de convergência e diversidade, os conselhos fantoches que ele criou (ou você, caro leitor, acha que os presidentes e diretorias dos mesmos realmente são autônomos em suas decisões, que tudo não passa pelo crivo de Rivas Neto?), os ataques contra as atividades de Rubens Saraceni (única liderança que faz frente ao poder que emana da Vila Alexandrina), nada mais é do que a manobras para consolidar o poder de Arapiaga dentro da religião.

Obviamente, apesar da “cortina de fumaça” que insistem em manter em relação às intenções de Rivas Neto e os seus, com este papo de “ponto para a umbanda“, “vive para a Umbanda e não dela” (o que cai por terra diante da afirmação do Arapiaga de que vive, também, da Umbanda), todo este interesse passa pela conta bancária de alguém.

A estrutura física, tecnológica, humana, impregada em todo este “circo” que vemos todos os dias, não é pequena. Os valores investidos (veja bem, INVESTIDOS) na estrutura da FTU, no tal Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras , na própria OICD, assim como toda a parafernália tecnológica usada, com certeza, não são a “fundo perdido“.

No que pese a insistência de Rivas Neto e os seus inúmeros “puxa sacos” insistirem de que ele não quer ser o centro de nada, comandar nada, o que temos visto é exatamente o contrário. A cada dia que passa temos mais provas e exemplos de como tudo vem sendo feito, exatamente, ao redor de Arapiaga.

O culto à personalidade é tamanho, que ele chega ao ponto, em seu último manifesto, em dizer que “até eu já me enganei“, o que soa mais ou menos como “eu sou o ‘cara’, o grande yamunishida, e já me enganei, imagine você, reles mortal“. Certamente, se perguntassem à ele quando se enganou, a resposta seria mais ou menos assim: “quando achei estar enganado.”

Há pouco tempo alguém afirmou que sou o “profeta do caos”, que minha “inveja” (hehehe) de Rivas Neto e outros faz com que eu seja sempre do “contra”, que tal sentimento nunca permitirá que eu veja e entenda a “grandiosidade” de tudo que Arapiaga, Robson Pinheiro e outros têm feito pela Umbanda.

Este tipo de argumento é típico de seguidores de SEITAS, que não conseguem enxergar um palmo além do seu entupido nariz e acha um absurdo alguém ir contra as idéias do seu alvo de adoração e veneração. É o mesmo argumento falacioso, estúpido, sem sentido, que vemos seguidores do INRI Cristo, Reverendo Moon, Bispo Macedo, dentre outros PICARETAS utilizando.

Em verdade, até aceito a alcunha de “Profeta do Caos“, visto que estou mostrando, quase que diariamente, os sinais de como as coisas estão indo mal, como os tempos no movimento umbandista são difíceis e perigosos, muito mais do que já foram há anos atrás, onde as armas usadas eram a calúnia e a difamação contra quem, como eu, ousasse levantar a voz contra os poderosos.

É clara, cristalina, a tendência de dominação da religião por parte de Rivas Neto.

A tática por ele usada é muito parecida, senão igual, a que Hitler usou na Europa antes do início da II Guerra Mundial: negar intenções para, no fim, conseguir seu objetivo sem nenhuma resistência. Foi assim que ele tomou a Polônia e a Aústria: negando que quissese isto, veementemente, à comunidade internacional.

Não sou somente o “Profeta do Caos“, mas também o Atalaia.

Mas, infelizmente, ao que parece, sou o único a conseguir enxergar o inimigo.

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Referências:

¹ Mircea Eliade – O Sagrado e o Profano

² Valéria Cristina Lopes Wilke – Do Esvaziamento Ontológico de Deus à Dissolução do Cristianismo Enquanto Moralidade: A Sentença Nietzscheana “Deus está Morto”.

³ Pr. Lázaro Soares de Assis – As Teofanias e a Encarnação do Verbo

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