Alguns leitores questionaram a ausência de um texto sobre o centenário da Umbanda, querendo entender o motivo pelo qual não escrevi uma só linha no dia 15 de novembro passado.

Na verdade, não me senti motivado a escrever sobre o assunto, ainda mais que estava no interior cuidando de assuntos relacionados ao grupo de escoteiros do qual faço parte e também de nosso “santé”.

O fato é que, sinceramente, não me vi estimulado a comemorar a data, e explico os motivos.

Apesar da “propaganda oficial” dizer ao contrário, a nossa religião encolhe a cada dia, perdendo adeptos para as igrejas neo-pentecostais e outros setores filo-religiosos. Não que a quantidade de fiéis seja um sinal de qualidade da religião (vide alguns “templos” por ai, lotados…), mas a debandada é algo preocupante, porque demonstra haver alguma coisa errada em nosso meio.

Outra questão é o atual panorama no meio umbandista. A “umbanda do vale-tudo” veio, pelo jeito, para ficar.

Em nome de uma pseudo unidade, os adeptos estão sendo praticamente coagidos a aceitar qualquer coisa como sendo “umbanda”. Não importa o que seja: catimbó, toré, xambá, candomblé, kardecismo, apometria, mestres ascensionados e por ai vai. Não entendo o motivo de denominações diferentes, já que para alguns tudo é a mesma coisa.

Isto me lembra uma ocasião em que um participante da lista “Umbanda Powerline“, afirmou que em seu “terreiro” havia uma sessão com os “cavaleiros da távola redonda” e uma outra para os deuses do panteão nórdico, com direito a longos bate-papos como o “exu” Loki , entre um “passe” e outro com Thor e o próprio Odin.

Pode parecer brincadeira, mas não é.

O cidadão, lembro-me bem, deixou a lista revoltado, reclamando de preconceito, dizendo que os velhos “deuses” e “heróis” ainda estava vivos, que não entendia porque pessoas que “adoravam” os deuses africanos achavam improvável a existência dos deuses nórdicos.

Realmente, o cara nos pegou… excelente argumento, que iremos comentar em um texto futuro.

O fato é que mesmo em época de faculdades, bacharéis de teologia umbandista com seus canudos, conselhos, federações e afins pululando por ai, a realidade nua e crua é: a Umbanda está em extinção.

A continuar este estado de coisas, onde qualquer conceito, preceito, ideologia, doutria, filosofia, etc, é aceitável, daqui a cem anos teremos qualquer coisa, menos a Umbanda conforme anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e coordenada pela Sagrada Confraria dos Espíritos Ancestrais.

A Umbanda, ou melhor, o AUMBHANDAN, conforme aconteceu no passado, está em um estado de retração, de adormecimento, sendo que a cada dia torna-se mais velada em seus aspectos mais puros, místicos e esotéricos. Nossa religião, aos poucos, perde a identidade e, pior, faz com que outros movimentos filo-religiosos a perca com esta absurda “teologia” de que tudo é, vem ou parte da Umbanda.

O que vemos hoje é um movimento que enxerga a Umbanda como um grande recipiente, que aceita qualquer coisa inclusive conceitos e doutrinas que se contradizem.

Esta não é a Umbanda que pratico, que ensino aos meus filhos e, com certeza, não será ensinada aos meus netos. Não importa quantas faculdades sejam abertas, quanto se grite por “tolerância” e “diversidade”…

A Luz Brilhante, continua Velada… quem sabe daqui a mais cem anos, outro Caboclo surja e com um forte brado acorde os adormecidos na fé.

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