Trazido pelos escravos com outros Deuses do panteão Yoruba, Exu foi colocado à margem e passou por um processo de demonização que se inicia na missão católica na África e se estende no período colonial brasileiro, onde seus atributos originais foram ocultados.

Exu que na África era caracterizado como o princípio da vida, a força que move os corpos, a dinâmica, o senhor dos caminhos e das encruzilhadas, a principal ponte entre os mortais e as divindades que habitam o além, passa a ser visto como a personificação do mal perante o modelo cristão, devido ao seu seu símbolo fálico e seu comportamento astucioso.

Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda.

Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos, como o Babalawô Adejimi Aderotimi Adefolurin, Toy Vodunnon Francelino de Shapanan, Iyalorixá Sandra Medeiros Epega e Reginaldo Prandi. Este último, infelizmente, apesar de sua condição de estudioso do assunto, comete o deslize imperdoável de chamar Exu de “diabo bom”.

O filme, em resumo, é um documentário poético que investiga a divindade africana Exu no imaginário popular brasileiro. Filmado originalmente em vídeo digital, Dança das Cabaças foi financiado com recursos do FunCultura (Fundo Municipal de Cultura) e propõe recuperação de uma identidade cultural menosprezada e esquecida pelo pensamento contemporâneo.

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