É complicado admitir isto, mas a Raiz de Pai Guiné d’Angola, assim como o legado deixado por W.W. da Matta e Silva, o saudoso Mestre Yapacani, está fadada a extinção.

Hoje em dia são poucos os Templos que, verdadeiramente, seguem os ensinamentos deixados pelo Velho Mestre, mesmo assim, em sua maioria, baseiam-se somente, e tão somente, nos aspectos externos, exotéricos da doutrina, já que seus sacerdotes não têm a orientação de um Mestre da Raiz com as devidas ordens e direitos para instruí-los.

E a culpa deste estado de coisas é de quem?

Dos herdeiros de Mestre Yapacani, daqueles sete Mestres de Iniciação “feitos” dentro da antiga TUOTenda de Umbanda Oriental – que não honraram o legado que à eles foi deixado.

Após a morte de Matta e Silva, e a auto-proclamação de F.Rivas Neto como seu legítimo sucessor, simplesmente começa a derrocada da assim chamada Umbanda Esotérica. Os discípulos de Matta e Silva, aqueles que tiveram a honra de pisar nas Sagradas Areias de Itacuruça, simplesmente se dispersam, indo cada um cuidar de sua própria vida, deixando a Raiz de Guiné acéfala.

Nenhum dos velhos Mestres, inexplicavelmente, vem à público desmentir a pretenciosa proclamação de Arapiaga, o “caçula” da TUO, como sucessor do velho Matta. O que falam em reservado com aqueles que os procuram nunca tiveram coragem de fazê-lo publicamente, pelo contrário, mantiveram-se no mais completo (e vergonhoso) silêncio e, pelo jeito, assim continuarão.

Lembro-me de uma conversa que tive certa vez com Mestre Yassuamy, onde o mesmo dizia que o responsável pela Raiz de Guiné seria Mestre Itaoman, mas que o mesmo declinou da tarefa afim de se dedicar aos seus estudos sobre Ifá, informação esta que foi confirmada por um Irmão-de-Fé que também ouviu, anos depois, a mesma afirmação por parte do citado Mestre.

Por outro lado, temos outros altos iniciados da Raiz que simplesmente debandaram de sua fileiras, como é o caso de Cláudio Caparelli (que pratica hoje o Xamanismo), Mirela Faur (que foi pelo mesmo caminho), dentre outros.

Outros, como Mestre Kariumá, no que pese JAMAIS ter sido iniciado no último grau por Pai da Matta, por algum tempo, devido a proximidade com Rivas Neto, largou de lado os ensinamentos do seu Mestre, renegou a sua Raiz, e adotou dentro de seu extinto Templo – a TUO II – a famigerada “Doutrina do Triplice Caminho” da OICD, “lavando”, por assim dizer, os fundamentos da Raiz de Guiné para dar lugar às deturpações doutrinárias de Rivas Neto.

Então, continuando o “desmonte” do legado de Matta e Silva, Rivas Neto compra os direitos das obras do Velho Mestre e reedita a maioria pela Editora Ícone, mas o texto foi multilado, sendo que em muitos trechos faltam parágrafos inteiros ou simplesmente não há uma continuidade lógica no texto.

Seria isto proposital?

Não sei e nem tenho subsídios para afirmar isto sem sombras de dúvidas, porém basta que você, leitor, tenha uma edição antiga de “Umbanda de Todos Nós“, ainda editada pela Livraria Freitas Bastos, e compare com a edição da Ícone. Em um post futuro, irei mostrar algumas destas multilações.

Para piorar as coisas, ainda temos aqueles Terreiros que dizem praticar a Umbanda Esotérica, mas que nem a dignidade de seguir os ensinamentos de Pai da Matta, com o estudo sistemático de suas obras, tem.

É o caso da TUEDLUZTenda de Umbanda Esotérica Divina Luz – que depois da morte de sua fundadora, a saudosa e mui querida Mãe Tina (Senhora de Templo Yanacosã), passou a fazer uma “umbanda esotérica” completamente estranha, com uma forte influência kardecista, com direito a apometria, camarinha (valha-me, Pai Guiné d’Angola) e outras práticas, para dizer o mínimo, “esquisotéricas”.

Ora, ora, ora, faça-me o favor…

Pai da Matta, como qualquer um pode constatar através da leitura de suas obras, era completamente avesso à influência kardecista dentro da Umbanda, inclusive sempre salientando que eram doutrinas com postulados antagônicos.

Chegou-se a um ponto de proibir que alguns médiuns estudiosos do nonateuco de Matta e Silva emitissem opinião ou falassem de doutrina umbandista dentro de… UM TEMPLO DE UMBANDA ESOTÉRICA.

É o fim do mundo ou não?

Infelizmente, a doutrina da Raiz de Guiné, por pura, completa e geral INCOMPETÊNCIA e FALTA DE CONHECIMENTO de uns e outros que dizem seguí-la, está simplemente sendo substituída pelas obras de Robson Pinheiro (o “kardecista que escreve para umbandista“, de acordo com a concepção de alguns beócios), que chegou mesmo a declarar que estaria recebendo mensagens do próprio Mestre Yapacani, e de Zíbia Gasparetto come seus romances “água com açucar”.

Doutrina que é bom – para usar uma expressão popular – NECAS DE PITIBIRIBAS.

Acho que este, assim como outros Templos por ai que se dizem de “Umbanda Esotérica“, mas não se dão ao trabalho de, ao menos, estudar as obras de Matta e Silva – o que seria como um centro kardecista que não estudasse as obras de Kardec – ter a mesma dignidade de Rivas Neto (e nisto, pelo menos, tiro o chapéu para o meu velho desafeto) e largar de lado a denominação.

Já que falta conhecimento, a ponto de precisar da ajuda do livro “Exu – O Grande Arcano” para se firmar uma tronqueira (que pelos relatos que recebi, mesmo com a ajuda do livro, está assentada de forma errada) que transforme logo o lugar em um centro kardecista ou se pratique a chamada “Umbanda de mesa“, mas não fique “agarrada” a uma doutrina para a qual não tem “ordens e direitos” para sustentar.

O que se espera de qualquer um, seja de que religião for, é coerência, coisa que, diga-se de passagem, anda faltando, e muito, no meio umbandista.

Infelizmente, enquanto nós, seguidores fiéis da Sagrada Raiz de Pai Guiné d’Angola, ficarmos, à exemplo dos velhos Mestres, fazendo vistas grossas para as deturpações de nossa Doutrina, seremos tão responsáveis, tão culpados perante o Tribunal de Mikael Arcanjo como aqueles que deveriam ter velado pela Doutrina o são.

Acorda, Povo de Guiné… os clarins de Ogum já tocaram…

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