Acredito que todo extremismo é equivocado, para não dizer burro. Aliás, tenho profunda resistência à tudo que em sua nomenclatura comporte a palavra “extrema”.

A política, os esportes, a religião, as convenções sociais, que se embrenham por caminhos extremos, em geral, produzem resultados desastrosos, autoritários, repressivos, enfim, calamitosos.

Os extremos, diferente do que possa parecer, são os pontos mais fracos de uma estrutura pois eles não tem como ou em que sustentar-se. Se as extremidades sofrem pressão, certamente todo o conjunto ruirá.

Nos meus vinte e três anos de militância no meio umbandista, presenciei extremos diversos.

Em uma época havia uma completa e absoluta divisão de doutrinas, onde as pessoas se degladiavam para determinar qual era a “umbanda” melhor. Nesta fase apareceram os umbandistas talibans, que tentavam de toda forma enfiar sua doutrina “goela abaixo” da comunidade umbandista. Via de regra eram grosseiros, troculentos e intimidadores.

Hoje vivemos outra fase extrema, a do “todo mundo está certo”.

Aqueles que outrora (assim como hoje) tentavam impor suas idéias à força, usando de métodos sórdidos e pusilâmines, como ameaças, intimidações, difamações, calúnias, etc, passam a pregar que todo mundo está certo, que a Umbanda é diversa, que não importa o que se escreveu no passado… o que vale é que no presente tudo é válido, permitido, enfim, “umbandista”, no que pese alguns “convergencionistas-pacifistas” não perderem a oportunidade de atacar, por exemplo, as obras de Rubens Saraceni, Alexandre Cumino ou qualquer outra pessoa que não esteja alinhado com suas idéias, desmerecendo seus escritos e trabalho.

Particularmente, como já disse, não tenho nada contra a tal diversidade de ritos e doutrinas. Aliás, acho extremamente saudável que assim seja, já que estamos em um país onde o credo religioso é livre e cada um cultua o “deus” que quiser da forma que desejar.

Meu problema, na verdade, exatamente pela liberdade que gozamos, é da imposição de idéias e o policiamento ideológico que vigora independente de qual “ponta” da situação esteja “na moda”.

Os umbandistas talibans, por se julgarem discípulos de uma espécie de “semi-deus”, apesar de pregarem liberdade de consciência dentro da Umbanda, querem impor este conceito.

Contraditório, não é mesmo?

Os talibans da Umbanda pregam liberdade, diversidade, convergência, respeito mútuo, desde que todos os umbandistas aceitem, pratiquem e concordem, sem questionamentos, com matanças de animais, adereços, cocares quilométricos, cartolas, capas, bengalas, black tie e todo um arsenal fetichista mesmo que isto venha a ferir a nossa própria consciência.

O que podemos deduzir com isto é que a tal “liberdade” e “convergência” pregadas estão restritas à quem concorda e “bate cabeça” para aqueles megalomaníacos que acreditam ser semi-deuses, antigos condutores da raça humana. Em verdade, a sua “liberdade” é de concordar com eles, independente do que escreveram e como agiram no passado.

O discípulos do semi-deus, infectam todas as listas de discussões e demais comunidades virtuais afim de manterem o estado policial, prontos para atacar qualquer idéia nova, qualquer pessoa que ouse discordar dele.

O pior é que, pelo que venho acompanhando, as pessoas os temem, preferindo se mostrarem servis e alinhadas do que enfrentar os “poderosos” seguidores do “boi da cara preta“, tal e qual a canção infantil que nos amedontrava com a iminência da descida do terrível bovino de face negra, que se encontrava no telhado, para nos pegar.

Sinceramente, pelo nível de submissão que vejo nas listas, acredito que deve haver um poder sobrenatural atuando na comunidade umbandista, ou então as pessoas pararam de raciocinar, ter senso crítico, buscar respostas melhores do que acusações de “inveja” ou ameaças quando se questiona as claras e contundentes contradições deste ou daquele “lider”.

Os seguidores e puxa-sacos em geral do “pai das sete linhas”, ao que parece, simplesmente se esqueceram das obras que ele publicou, dos conceitos que por anos defendeu e que, de uma hora para outra, sem maiores explicações, simplesmente abandonou.

Há menos de dez anos, o semi-deus pregava que matança de animais era coisa de KIUMBAS, que catimbó, com seus “mestres de linhas” eram o que de mais trevoso existe no astral, que profusão de colares, roupas, cocares, etc, eram coisas de fetichistas, mas hoje pratica exatamente o contrário. Em seu Terreiro (o qual recuso-me a chamar de Umbanda…) se faz matança de “dezenas de animais diversos”, usa-se guias de miçangas, cocares de meio metro, roupas vermelhas/pretas nas giras de Exu e, pasmem, até sessões de catimbó se abre por lá, com o nosso folclórico personagem recebendo um “mestre de linha”.

E ninguém ousa questionar como algo que era considerado trevoso em menos de dez anos, “coisa de kiumbas”, o que de mais baixo há no astral, se transformou em algo positivo, benéfico, aceitável em tão curto espaço de tempo, ainda mais vindo estes conceitos, em tese, de uma Entidade astralizada.

O grande problema, no entanto, não são as matanças, as roupas teatrais, os cocares, o catimbó. Como já disse cada um faça o que quiser e como quiser… vivemos em um país, repito, livre. O que combato é a exigência de todo mundo ter de aceitar tais coisas, assim como as incoerências no pensamento de quem as propaga.

Talvez o “pai das sete linhas” compartilhe com o cineasta Woody Allen o pensamento de que a “coerência é o fantasma das mentes pequenas“.

Este deve ser o motivo dos filmes do segundo sempre fracassarem nas bilheterias e as idéias do primeiro serem tão mutáveis e contraditórias. Mentes muito “grandes”, em geral, estão cheias de água ou vagam sem rumo no vácuo.

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