Particularmente, não sou contra nada e ninguém.

Esta afirmação pode soar estanha, mas esta é a mais pura verdade.

Para ser muito honesto, não sou contra e nem a favor de nada, muito antes pelo contrário. O que escrevi ontem pode não ser a mesma coisa que acredito ser verdadeira hoje e vice-versa. Em verdade, acho que vou aderir a esta onda “metamorfose ambulante” que viceja no meio umbandista.

A partir de hoje, sou a favor de mulheres iniciarem homens.

Afinal de contas, nada como ter a sua glândula pineal manipulada por mãos encharcadas das toxinas que o corpo feminino libera antes e durante o ciclo menstrual e/ou sujeito à vibração mântrica de uma consagração acompanhada de toda a perturbação psíquica que ocorre durante a famosa TPM – Tensão Pré-Menstrual.

Também passo a ser à favor da matança de animais.

Claro, já que igualmente passo a acreditar que Orixás, Guias e Protetores, seres elevadíssimos que não mais resgatam na penumbra da forma, necessitam de um elemento grosseiro como o sangue de animais para que se “fortaleçam” e possam nos auxiliar. Afinal de contas, se eu posso comer uma bela picanha ao ponto ou mal passada, porque Ogum não pode comer o seu cachorro preto e Exu o seu bode? Estou deveras preocupado com o nível de ferro no “corpo” deles.

Hoje mesmo vou à uma costureira para que ele ma faça uma bela capa preta-e-vermelha, indique onde posso adquirir uma imensa cartola, assim como comprarei um belo terno preto, com direito à colete, uma camisa social vermelha e uma gravata preta para o “meu” Exu. Sempre gostei de andar bem vestido, então nada mais natural que o Guardião que me acompanha tenha o seu “lugar ao sol” no quesito vestuário, dentro das tendências da moda “primavera-verão” lançada no último rito de “Exu” na OICD/FTU.

À exemplo de algumas “sacerdotisas” aqui em Belo Horizonte, vou encher meu Terreiro de doutrinas estranhas à Umbanda (por puro desconhecimento dos seus mais básicos princípios), que, em sua totalidade, vão de encontro aos mais básicos postulados da Doutrina que se tem a pretensão de seguir. Por tanto, vou começar a praticar apometria, kardecismo, runas e tudo mais que não tenha nenhuma ligação com a Raiz de Guiné, mas insistir na denominação de “Umbanda Esotérica” no nome da minha Casa.

Assim que acabar de escrever este artigo, vou correr até o Mercado Central e comprar alguns atabaques. Quero reuniões sonoras, animadas e com cara de festa profana dentro do meu Terreiro, no que pese a Doutrina que eu sigo proibir o uso de tais instrumentos. Mas o que fazer, se alguns querem “pão e circo”, não é mesmo? Portanto, vou dar o que o povo quer.

Por último, vou instituir a “camarinha” em meus rituais iniciáticos, seguindo, ainda, o exemplo de algumas “sacerdotisas” daqui. Claro, elas não sabem nenhum fundamento sobre o “ronkó”, mas depois da apometria e dos atabaques tudo pode ser feito.

Portanto, caros leitores, esqueçam tudo que escrevi nos últimos dois anos neste blog, porque hoje sou um alinhado-tolerante-convegente-não adverso à nenhuma prática que queira nomear como “Umbanda” e, de forma mais específica, de “Umbanda Esotérica“.

Por outro lado, sou contra a tudo e todos que queiram transformar a Umbanda em um amontoado de fios com poucas ligações entre si, mas que insistem em conectá-los de forma misturada causando imenso curto-circuito na religião.

O quê? Achou meu texto de hoje contraditório, sem “pé e nem cabeça” ?!?

Não esquenta, meu caro Irmão… afinal de contas, não sabia que ser contraditório está na “moda” dentro da Umbanda?

Relaxa e siga a onda da “umbanda vale tudo“, pois personalidade, fidelidade à conceitos e doutrinas estão fora de moda em nosso meio faz tempo.

Como diria Tim Maia:

Só não vale dançar homem como homem, e nem mulher como mulher. O resto vale“.

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