Nada tenho contra a diversidade, seja ela étnica, religiosa, política, musical, literária, mas não pratico absolutamente NADA que vá de encontro à minha consciência, daquilo que acredito, para posar de “bom moço”, de tolerante, para ninguém.

Sou plenamente à favor da união, desde que isto não signifique que deva renunciar às minhas origens, meu entendimento do que é “certo” e “errado”, que tenha de travestir meu corpo, minha casa enfim, minha vida, apenas para agradar dezenas, centenas ou milhares de pessoas. Caso queira ser meu amigo, companheiro, parceiro de jornada, terá de aceitar minha crença, minhas práticas como elas são, assim como devo fazer o mesmo em relação à você.

Quero, sinceramente, caminhar ao seu lado, lutar por uma religião forte, estruturada, unida, mas quando visitar minha Casa não espere ver “dezenas de animais diversos” sendo sacrificados, Exus vestidos à rigor, com cartolas, capas, tridentes e ternos, assim como profusão de bebidas alcoólicas. Não acredito que para sermos amigos, irmãos, companheiros de jornada, devemos praticar as mesmas coisas, afinal de contas DIVERSIDADE significa exatamente isto: variedade, multiplicidade.

Não quero, meu Irmão-na-Fé, que “reze” pela mesma cartilha que eu, mas sempre esperarei de você coerência entre o que diz e pratica, assim como tenho certeza que me cobrará o mesmo.

Não importa, meu caro confrade, se em sua Casa há a matança de animais, desde que você também não se importe que eu não participe dela e não concorde com isto.

À mim é indiferente, caro Irmão, que em sua casa haja festas suntuosas, com muita comida e bebida, uma confraternização animada, onde as Entidades que ali se manifestam peçam roupas, adereços e ferramentas especias, desde que não se importe que eu use apenas a minha roupa branca.

Não quero mandar ou direcionar a sua consciência, assim como dizer o que é “certo” ou “errado” na sua forma de vivenciar a Umbanda. Não sou, em absoluto, seu adversário, mas seu companheiro de jornada enquanto houver coerência em seus atos, sinceridade em seus propósitos e fidelidade ao Astral.

Que não sejamos, meu Irmão em Oxalá, tolerantes com as nossas diferenças, já que a tolerância é a contrafação da intolerância, pois uma se arroga o direito de impedir a liberdade de consciência, a outra de concedê-la. Portanto, vamos nos respeitar, ao invés de tolerar.

Como temos um objetivo em comum, que é a levar a Umbanda a ser respeitada e reconhecida como uma movimento religioso que abarca milhões de consciências, vamos convergir à este ponto sem perder as nossas identidades, trairmos nossas origens, nossos Mestres, as bandeiras que carregamos por anos à fio, sem que as mesmas mudem de cores pelo nosso oportunismo e interesse pessoais.

Tem a liberdade de julgar equivocadas algumas práticas (ou ausência delas) em minha Casa, mas em contrapartida deve conceder-me a mesma liberdade de fazer o mesmo em relação à você. Talvez consigamos entender melhor os pontos-de-vista um do outro em uma conversa amena, fraterna, desarmada, onde as respostas fluam com a mesma intensidade das perguntas.

Enfim, sejamos partidários e incentivadores da DIVERSIDADE sem sermos ADVERSOS à nossa própria CONSCIÊNCIA.

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