Que o ser humano é falível, cheio de defeitos, mazelas e imperfeições não é novidade para ninguém.

O grande diferencial fica por conta de assumirmos os erros, modificarmos rumos e aprendermos com eles. No mínimo tais posturas não nos permitirão cometer o mesmo erro reiteradas vezes.

Algumas situações dentro do Movimento Umbandista, porém, são muito intrigantes. Por mais que o erro, a má fé, a contradição estejam evidentes, parece que ninguém enxerga, ou se o faz prefere ficar calado, já que os interesses pessoais superam o compromisso com a verdade e a coerência.

Vamos imaginar duas situações hipotéticas e absurdas.

Na primeira, imaginemos que o chefe máximo da Igreja Católica Romana, o Papa Bento XVI, em um de seus pronunciamentos dominicais, resolvesse anunciar a canonização de Martinho Lutero, sob a alegação de que, apesar de séculos combatendo suas idéias, com a trabalheira que deu a Contra-Reforma, que o monge que combateu a venda de indulgência, contestou a infalibilidade papal e mais centenas de dogmas da Igreja Romana, não seria mais persona non grata no meio católico, pelo contrário, poderia até mesmo ser adorado em seus altares.

Prosseguindo com o nosso exercício, vamos imaginar que um pastor protestante, de uma denominação qualquer, que no último domingo, ao tomar o púlpito, pregou que Maria não é santa coisa nenhuma, que após o nascimento de Jesus Cristo ela viveu maritalmente com José, teve relações sexuais com o mesmo, e que a prova disto era que O Redentor tivera irmãos.

Então, um belo dia, o tal pastor simplesmente chega à Igreja carregando uma imensa imagem de “Nossa Senhora da Conceição”, a coloca em destaque no altar da Igreja, ajoelha-se diante dela e passa a adorá-la, exortando as suas “ovelhas” a fazer o mesmo.

A congregação, estupefata, pede uma explicação para tal atitude e tem como resposta que as Leis de Deus são temporais, que o mandamento que proibe a adoração de imagens era válido para aquele momento, que os conceitos sobre Maria também eram temporários, que agora havia sido revelado à ele novos conceitos, mais profundos, que apesar de contradizer tudo o que antes era considerado correto, era o que todos deveriam seguir daquele momento em diante.

Diante destas duas hipotéticas, e improváveis, situações, qualquer pessoa com o mínimo de senso crítico, que saiba o significado da palavra COERÊNCIA, questionaria estas mudanças bruscas de visão e postura.

Na Umbanda, porém, este tipo de questionamento, simplesmente, não existe.

Os dois maiores formadores de opinião dentro da Umbanda, atualmente, Rivas Neto e Rubens Saraceni, se contradizem à vontade, escrevem besteiras livremente, e seu seguidores, cegos, continuam aplaudindo tudo.

A bem da verdade, Rubens Saraceni é mais coerente com as suas posturas do que Rivas Neto. Pelo menos a sua “teologia” não se modifica com o passar dos anos. Os Orixás continuam sendo os mesmos, os exus “bem dotados”, assim como as pomba-giras com características ninfomaníacas de seus romances continuam da mesma forma, e seus cursos de magia “disto ou daquilo” continuam cheios, assim como as suas dezenas de obras continuam em uma só linha de pensamento.

Na outra ponta, vemos Rivas Neto, discípulo de Matta e Silva, que durante anos arvorou-se legítimo sucessor de seu Mestre, tomando para si a responsabilidade de conduzir a Sagrada Raiz de Pai Guiné d’Angola. O mesmo Mestre Arapiaga, que se auto-intitulou “YAMUNISIDDHA“, que diz, em uma de suas obras, que é uma espécie de iluminado, condutor da raça humana, que se gaba em ter contato direto com os Mestres d’Aruanda, vive modificando seus conceitos, contrariando o que escreveu e vivenciou por anos como Verdade.

Aliás, através de uma e-mail que recebi, postado na lista “Apometria e Umbanda“, moderada pelo Sr. João Luiz Carneiro, uma espécie de “relações públicas” da OICD, FTU, CONUB, CONSUB, etc, da parte do Silvio Garcez, conhecido como Mestre Aramaty, prova que posturas contraditórias do grande “yamunisiddha” não são de agora.

No longo e-mail, que para variar é um ataque velado à Rubens Saraceni, o nosso “irmão planetário” (a mais nova forma de tratamento inventada por Rivas Neto) Aramaty, ao final, escreve o seguinte:

PS : É preciso deixar registrado que Pai Rivas abandonou o termo Umbanda Esotérica desde 1991, por fazer a Umbanda de Síntese. Para quem não sabe, Pai Rivas antes de conhecer Matta e Silva, era filho de Ernesto de Xango, da Nação Keto que fazia também a encantaria e nesta época Pai Rivas teve contato com os Baianos, Boiadeiros e Marinheiros e incorporava Zé Pilintra, Mestre Canidé entre outros. Hoje através do Centro de Cultura esta vivencia de Pai Rivas esta sendo revista e ampliada.”

Perceberam?

Primeiro Rivas Neto abandona o Culto de Nação, para se embrenhar na Umbanda Esotérica. Em suas obras passa a atacar todos os fundamentos da Nação, assim como da chamada “Encantaria” (eles nunca usam o termo Catimbó. Imagine como ficaria ruim começarem a dizer por ai que o “yamunisiddha” é catimbozeiro…).

Ato contínuo, Rivas Neto chama de “kiumbas” (com todas as letras), em suas obras, as Entidades que se apresentam como Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e, pasmem, até mesmo o seu “velho amigo”, Zé Pilintra, que na obra “Lições Básicas de Umbanda” ele afirma ser “pilantra mesmo“. Ou seja, estas Entidades que outrora trabalhavam na mediunidade do Arapiaga, passaram a ser “kiumbas”, quando as renegou diante da doutrina de Umbanda Esotérica e agora, frente a “Umbanda de Síntese”, passam novamente a ter destaque e acolhida junto à ele.

Se este tipo de postura não for contraditória, não sei mais o que pode ser considerado assim.

Seria como ter amigos, que em um determinado momento passo a não mais considerá-los assim, os difamo, calunio, os chamo de “pilantras”, “seres trevosos” e depois de um certo tempo, sem quê e nem por quê, volto a recebê-los em minha casa, como se nada tivesse acontecido e, pior, eles aceitam esta minha indecisão quanto as suas índoles sem o menor questionamento.

O mais estranho disto tudo é que, em sua maioria, as pessoas ligadas à OICD, em todos os seus agrupamentos, têm formação superior. São médicos, dentistas, advogados, engenheiros, filósofos, físicos, matemáticos, e por ai vai. Pessoas que, pelo menos se supõe, que tenham aprendido nos bancos das respectivas Faculdades, a raciocinar, analisar, pensar de forma lógica, coerente e científica.

Porém, ninguém questiona tais acintes à inteligência de qualquer pessoa mediana.

E sabem qual o motivo para isto não ocorrer?

Simples: não há democracia dentro da OICD, as posturas e pensamentos de Rivas Neto são inquestionáveis e aquele que ousa colocar em “xeque” qualquer orientação teologica do poderoso “avatar” é sumariamente “convidado” a se retirar da Ordem.

Enfim, as situações que coloquei no início deste artigo são absurda dentro do catolicismo e do protestantismo, mas infelizmente, tais incoerências são comuns e corriqueiras dentro da Umbanda e, pelo “andar da carruagem”, podemos esperar que piorem.

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